MUNDO DE BETH

OH, VÓS QUE OUSAIS ADENTRAR AO MUNDO DE BETH, PERDEI TODA ESPERANÇA MAS JÁ QUE OUSOU E ADENTROU…TORNOU-SE UM CÚMPLICE… ESTAREMOS PERDIDOS…SEREMOS DEVORADOS UMPELOOUTRO.

30/5/07

ERA UMAVEZ EU…

Certa vez, saímos eu, Alex Jacques e Paulo, outro companheiro de caminhada, até São Francisco Xavier.
Como sempre, Alex Jacques sabia todas as direções a seguir, pois havia estudado os mapas com antecedência.
Essa foi uma das mais belas aventuras que pude experimentar.
Conhecemos duas cachoeiras na beira do caminho e as nomeamos de ONDINA e INSÔNIA. Essa mania de criar nomes para tudo que se encontrava era uma forma de tornar permanente o que era passageiro.
Saímos de São José dos Campos depois do almoço, e só não chegamos no mesmo dia porque nesse tempo e espaço os dias escureciam mais cedo…Foi pela estrada do Rio do Peixe, estava calor e na primeira cachoeira nós tomamos banho e a batizamos de ONDINA…
Continuamos a caminhada depois do banho e faltavam poucos quilometros para chegar quando acampamos na cachoeira da INSÔNIA…INSÔNIA porque não conseguimos dormir naquela noite…o barulho da cachoeira regado a muitas histórias que ficamos a contar…poemas que saltitavam por sobre nossas cabeças se jogando nas folhas brancas…sons das músicas de Xangai que se espalhavam pelo céu das nossas bocas… medos que tornavam a noite uma entidade… formigas cortadeiras que dilaceraram nossas roupas penduradas e quase parte da barraca improvisada…tivemos muita sorte.
Sempre dormi ao som de Chopin, Mozart, Beethoven, Satie, mas foi a primeira vez ao som de uma cachoeira…Tornou-se um marco, um simbolo, inesquecível…às vezes quando coloca minha cabeça ao travesseiro, ainda escuto o mesmo som em minha memória de sensações…
Pela manhã recomeçamos a caminhada e chegamos a São Francisco Xavier pelo morro do Guaxindiva.
Na cidade fomos comer, dar umas voltas pela praça do coreto até o horário do ônibus… que nos levou de volta a urbanidade
O prazer da aventura nos dava certa imunidade contra toda espécie de normalidade…Talvez seja essa a nossa sina e quem sabe, nosso legado…

De volta à civilização, os encontros para contar as aventuras e criar…


(Alex Jacques, Kharistos e Fábio na Praça Afonso Pena)

Eliza/Beth

criado por eraumavezeu    20:48 — Arquivado em: LABIRINTO

26/5/07

MEU AMADO ADONIS


( Pintura de J.W. Waterhouse)

Sândalo, Patcholli, Almíscar, Calandre
Tudo me lembra você…
Assim como o cheiro da terra
Assim como o cheiro de todas as coisas
Assim como o prateado da lua
Numa noite como essa…
Lembranças de vidas remotas
Pré-históricas
Símbolos antropológicos
De seres arqueológicos…
Somos intrinsicamente um

Numa lógica antropófoga
Por que? Eu não sei!
Sinto-o em meu sangue
Em minhas vísceras
mãos, braços, pernas
E mente vã…
Tudo é você
A repetição se faz presente
Aparenta um embrião
Formado e dilacerado pelo tempo
Sempre a retornar
Como uma história contada
Talvez cantada
Numa Japa encantada
De madeira perfumada
Um odor, além do olfato
Está vinculado ao si
Como uma marca
Essa lua que vislumbro
É a mesma que olha agora…
Por que me é tão caro assim?
Por que está ligado ao meu umbigo?
Daria minhas mil vidas
Para desvendar esse mistério insondável…
Como uma cigana sem destino
Trilho trilhas desconhecidas
Não conheço o mapa
Que me leve ao som de uma cachoeira
Ao frescor de uma mata virgem
Onde possa clarear
Onde possa tatear
Segurar a sua mão
E ler, nas entre-linhas
Os mistérios de sermos apenas um
E compreender.

ELIZA / BETH

criado por eraumavezeu    14:29 — Arquivado em: DEVA-NEAR

25/5/07

SÓ UM SIMPLES JOGO DE PALAVRAS


(Foto de Jean Paul Sartre)

O NADA A DOR A NÁUSEA

A DOR A NÁUSEA

A DOR A NÁUSEA

A NÁUSEA A DOR

A NÁUSEA A DOR

ANAUSEADOR

A-NAU-SE-A-DOR

A NAU QUE LEVA

A NÁUSEA E A DOR A NADA.

ELIZA / BETH

criado por eraumavezeu    13:40 — Arquivado em: DEVA-NEAR

18/5/07

ERA UMA VEZ EU…

Nos anos noventa havia entre nós, dois grupos de caminhadas: A Equipe Zero e a QSF…

( Alex Jacques numa trilha ) 

A Equipe Zero era sistematizada e bem organizada e tinha na frente o Alex Jacques…Ele programava tudo, estudava os mapas, listava os alimentos e o que levar na mochila, sempre avaliava o peso de cada uma para não interferir na nossa caminhada e sabia todas as direções a seguir, pois estudava os mapas com antecedência…Durante as viagens ele era como um guia e cronometrava o tempo em seu relógio…era um grupo quase seguro.

( Stjepan numa trilha )

A Equipe QSF era mais caótica. E tinha na frente o Stjepan. Era um pessoal mais aventureiro, sem muita programação…Saiam para as trilhas quando surgia  o desejo, sem se importar com a organização da viagem…Levavam o que era de praxe, isto é, o estritamente necessário para a sobrevivência nas trilhas e acampamentos.

Essas duas equipes nunca foram competitivas, apesar das diferenças… Misturavam-se! Eu mesma, permeava pelos dois grupos com certa flexibilidade o que me dava liberdade de ir e vir nas trilhas e caminhadas com os dois grupos…

Mas, o que nos ligava fortemente era a poesia…Poesia inspirada nessas andanças, inspirada nas longas caminhadas por lugares bonitos e inusitados…nas histórias por nós criadas, inventadas e contadas para dar sabor àquelas aventuras tão inesquecíveis. Foram muitas aventuras!

 

criado por eraumavezeu    19:56 — Arquivado em: LABIRINTO

17/5/07

ÁGUA DE MAR

Água me amedronta
Rodopia-me
Deixa-me tonta
Fico de longe a espiar
Com medo de desabar
Cair por terra
E chegar ao mar.

Água me arrepia
Fico sem ar
Some o sentido
Fico então, de longe a espiar
Com medo de desaguar
Cair em tentação
E lhe amar.

Água me deixa estática
Paralisa-me
Fico de longe a espiar
Com medo de enliquidar
Cair em transe
E lhe devorar.

Sugar?
Beber?
Tomar?
Não sei!

Armar um cerco
Cair em armadilha
Num redemoinho, em ondas
E amar
E A-MAR
Demais

Ademais
Você é água
E eu tenho sede
E eu tenho medo
De água de mar
De A(gua) DE MAR.

ELIZA/BETH

criado por eraumavezeu    18:49 — Arquivado em: DEVA-NEAR

9/5/07

SONHOS

"LE MAL DU PAYS" ( RENÉ  MAGRITTE )

  Talvez fosse o modo de olhar
Incerto!
Talvez fosse o cheiro das plantas
Poejo
Coentro
Hortelã…
Que vontade de voar
Nesse olhar sem nitidez
Ou então presenteá-lo
Com cheiros
O que apreciaria?
Mirra?
Sândalo?
Lírio do campo?
Ou terra molhada?
Com esse desejo
No mesmo instante subo a serra
Numa velocidade vertiginosa
Quais os desejos inconcebíveis
De sua mente permanente?
Ou os desejos permanentes
De sua mente inconcebível?
Caminho ou sento
N’alguma pedra
Para apreciar ervas-cidreiras-cachoeiras
Pássaros de metal
Dentes de leão
E leões de pedra.
Quisera entender o sonho
Para ver a realidade.

ELIZA /BETH

( DENTE DE LEÃO)

 

criado por eraumavezeu    18:00 — Arquivado em: DEVA-NEAR

6/5/07

KHARISTOS

 

( "JARDIM DAS DELÍCIAS" DE BOSH )

 

Em seu repouso absoluto
Pousa
Em árvores de metal
Estrados de cimento
Retrógradas grades de ferro
E fios de nylon sintético.
Mas seu verdadeiro ser
Sobrevoa jardins miraculosos
Com flores perfumadas
E pomares com frutas
Luxuriantes.

ELIZA / BETH

criado por eraumavezeu    16:54 — Arquivado em: DEVA-NEAR

3/5/07

ERA UMA VEZ EU…

 

NO COMEÇO DOS ANOS 90 JÁ NÃO HAVIA MAIS DECLAMADORES NA PRAÇA, NEM OS QUE FAZIAM PERFORMANCES….MAS REUNÍAMOS TODOS OS SÁBADOS EM ALGUM LUGAR.
HAVIA UMA LANCHONETE EM FRENTE A PRAÇA AFONSO PENA ONDE FICÁVAMOS HORAS CONVERSANDO…ERA UM LUGAR CONFORTÁVEL… COM MESAS E BANCOS DE MADEIRA…COMENDO BATATAS E TROCANDO IDÉIAS.
NESSES MOMENTOS, FICÁVAMOS ESCREVENDO JUNTOS, EM TARDES MUITO ESPECIAIS.
NUMA DESSAS TARDES, ESTAVA EU, SOLFIDONE, ALEX JACQUES, STJEPAN, PAULO LOPES, FABIO KLEBER, KHARISTOS E NÃO ME LEMBRO QUEM MAIS…
CADA UM ESCREVIA ALGUMA COISA, JOGAVA UMA IDÉIA NAQUELE MOMENTO E ASSIM FORAM SE MULTIPLICANDO IDÉIAS E ESCRITOS.

EIS ALGUNS ESCRITOS DESSE ENCONTRO:

“SE EU DEIXAR DE EXISTIR TODOS VOCÊS TAMBÉM O DEIXARÃO. VOCÊS EXISTEM PORQUE EU EXISTO” (STJEPAN)

“EU SOU UM SER, SEM SER” (KHARISTOS )

“OH, DEUS QUE É O PASTOR E DIZ…QUE NADA ME FALTARÁS, LIVRAI DOS LAÇOS E PASSARINHEIROS E DA PESTE PERNICIOSA…POR QUE “SENHOR”, SOU FILHO DO HOMEM QUE É FILHO DE DEUS” (PAULO LOPES)

“O QUE VALE NESSA VIDA É DAR MUITAS RISADAS, O RESTO É PURA PERDA DE TEMPO” ( ELIZABETH )

“NEM TUDO” (FABIO KLEBER)

“BUSCO, O DESAPEGO DAS COISAS VÃS
A ILUSÃO É TÃO FORTE
QUE ME AGARRA PELO VENTRE
E ME GIRA NO ESPAÇO
DEIXANDO-ME ESTONTEANTEMENTE
FORA DE MIM
QUANDO VOLTO
NÃO SEI QUEM SOU”. (ELIZABETH)

 

 

criado por eraumavezeu    20:29 — Arquivado em: LABIRINTO
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