18/5/07
Nos anos noventa havia entre nós, dois grupos de caminhadas: A Equipe Zero e a QSF…

( Alex Jacques numa trilha )
A Equipe Zero era sistematizada e bem organizada e tinha na frente o Alex Jacques…Ele programava tudo, estudava os mapas, listava os alimentos e o que levar na mochila, sempre avaliava o peso de cada uma para não interferir na nossa caminhada e sabia todas as direções a seguir, pois estudava os mapas com antecedência…Durante as viagens ele era como um guia e cronometrava o tempo em seu relógio…era um grupo quase seguro.

( Stjepan numa trilha )
A Equipe QSF era mais caótica. E tinha na frente o Stjepan. Era um pessoal mais aventureiro, sem muita programação…Saiam para as trilhas quando surgia o desejo, sem se importar com a organização da viagem…Levavam o que era de praxe, isto é, o estritamente necessário para a sobrevivência nas trilhas e acampamentos.
Essas duas equipes nunca foram competitivas, apesar das diferenças… Misturavam-se! Eu mesma, permeava pelos dois grupos com certa flexibilidade o que me dava liberdade de ir e vir nas trilhas e caminhadas com os dois grupos…
Mas, o que nos ligava fortemente era a poesia…Poesia inspirada nessas andanças, inspirada nas longas caminhadas por lugares bonitos e inusitados…nas histórias por nós criadas, inventadas e contadas para dar sabor àquelas aventuras tão inesquecíveis. Foram muitas aventuras!

17/5/07

Água me amedronta
Rodopia-me
Deixa-me tonta
Fico de longe a espiar
Com medo de desabar
Cair por terra
E chegar ao mar.
Água me arrepia
Fico sem ar
Some o sentido
Fico então, de longe a espiar
Com medo de desaguar
Cair em tentação
E lhe amar.
Água me deixa estática
Paralisa-me
Fico de longe a espiar
Com medo de enliquidar
Cair em transe
E lhe devorar.
Sugar?
Beber?
Tomar?
Não sei!
Armar um cerco
Cair em armadilha
Num redemoinho, em ondas
E amar
E A-MAR
Demais
Ademais
Você é água
E eu tenho sede
E eu tenho medo
De água de mar
De A(gua) DE MAR.
ELIZA/BETH
9/5/07

"LE MAL DU PAYS" ( RENÉ MAGRITTE )
Talvez fosse o modo de olhar
Incerto!
Talvez fosse o cheiro das plantas
Poejo
Coentro
Hortelã…
Que vontade de voar
Nesse olhar sem nitidez
Ou então presenteá-lo
Com cheiros
O que apreciaria?
Mirra?
Sândalo?
Lírio do campo?
Ou terra molhada?
Com esse desejo
No mesmo instante subo a serra
Numa velocidade vertiginosa
Quais os desejos inconcebíveis
De sua mente permanente?
Ou os desejos permanentes
De sua mente inconcebível?
Caminho ou sento
N’alguma pedra
Para apreciar ervas-cidreiras-cachoeiras
Pássaros de metal
Dentes de leão
E leões de pedra.
Quisera entender o sonho
Para ver a realidade.
ELIZA /BETH

( DENTE DE LEÃO)

6/5/07

( "JARDIM DAS DELÍCIAS" DE BOSH )
Em seu repouso absoluto
Pousa
Em árvores de metal
Estrados de cimento
Retrógradas grades de ferro
E fios de nylon sintético.
Mas seu verdadeiro ser
Sobrevoa jardins miraculosos
Com flores perfumadas
E pomares com frutas
Luxuriantes.
ELIZA / BETH
3/5/07
NO COMEÇO DOS ANOS 90 JÁ NÃO HAVIA MAIS DECLAMADORES NA PRAÇA, NEM OS QUE FAZIAM PERFORMANCES….MAS REUNÍAMOS TODOS OS SÁBADOS EM ALGUM LUGAR.
HAVIA UMA LANCHONETE EM FRENTE A PRAÇA AFONSO PENA ONDE FICÁVAMOS HORAS CONVERSANDO…ERA UM LUGAR CONFORTÁVEL… COM MESAS E BANCOS DE MADEIRA…COMENDO BATATAS E TROCANDO IDÉIAS.
NESSES MOMENTOS, FICÁVAMOS ESCREVENDO JUNTOS, EM TARDES MUITO ESPECIAIS.
NUMA DESSAS TARDES, ESTAVA EU, SOLFIDONE, ALEX JACQUES, STJEPAN, PAULO LOPES, FABIO KLEBER, KHARISTOS E NÃO ME LEMBRO QUEM MAIS…
CADA UM ESCREVIA ALGUMA COISA, JOGAVA UMA IDÉIA NAQUELE MOMENTO E ASSIM FORAM SE MULTIPLICANDO IDÉIAS E ESCRITOS.
EIS ALGUNS ESCRITOS DESSE ENCONTRO:
“SE EU DEIXAR DE EXISTIR TODOS VOCÊS TAMBÉM O DEIXARÃO. VOCÊS EXISTEM PORQUE EU EXISTO” (STJEPAN)
“EU SOU UM SER, SEM SER” (KHARISTOS )

“OH, DEUS QUE É O PASTOR E DIZ…QUE NADA ME FALTARÁS, LIVRAI DOS LAÇOS E PASSARINHEIROS E DA PESTE PERNICIOSA…POR QUE “SENHOR”, SOU FILHO DO HOMEM QUE É FILHO DE DEUS” (PAULO LOPES)

“O QUE VALE NESSA VIDA É DAR MUITAS RISADAS, O RESTO É PURA PERDA DE TEMPO” ( ELIZABETH )
“NEM TUDO” (FABIO KLEBER)
“BUSCO, O DESAPEGO DAS COISAS VÃS
A ILUSÃO É TÃO FORTE
QUE ME AGARRA PELO VENTRE
E ME GIRA NO ESPAÇO
DEIXANDO-ME ESTONTEANTEMENTE
FORA DE MIM
QUANDO VOLTO
NÃO SEI QUEM SOU”. (ELIZABETH)
