
“A Adversidade é o primeiro caminho para a Verdade” (Lord Byron)
A VERDADE LIBERTA
Formosa donzela
Espreita nossos colóquios…
Olhamos um para o outro
Sem nada ver.
Verbas até mim
Com passos faceiros
Recebo tuas letras
Embrulhadas para presente.
As palavras flutuam no plasma!
Poderosa donzela
Revela-se entre nós.
Embebido em vinhos e bacanais
Tu estás
Dividido em mil tarefas
Multiplicadas
Pelas somas ou subtrações do dia a dia.
Do meu lado
Esquivo-me dos atos nobres ou fúteis
Busco nas entrelinhas do verbo
A morte pela cruz
E o renascer no terceiro dia…
Quem sabe até
Criar asas
e sobrevoar a matrix.
Lá está a donzela
Espiando nossas delicadezas
Esperando a plena claridade
Minha e tua
Em admitir
Que somente ela
Pode nos libertar
Desse monstro de nós mesmos.
Elizabeth
A UMA TAÇA FEITA DE UM CRÂNIO HUMANO
Não recues! De mim não foi-se o espírito…
Em mim verás - pobre caveira fria
-Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!… que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro…
Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
.Servir na morte enfim p’ra alguma coisa!…
Lord Byron
Tradução de Castro Alves