MUNDO DE BETH

OH, VÓS QUE OUSAIS ADENTRAR AO MUNDO DE BETH, PERDEI TODA ESPERANÇA MAS JÁ QUE OUSOU E ADENTROU…TORNOU-SE UM CÚMPLICE… ESTAREMOS PERDIDOS…SEREMOS DEVORADOS UMPELOOUTRO.

15/3/08

ORGASMO CÓSMICO!

Como um jato
Recebo nas entranhas
O calor espermático
Vindo de estrelas distantes
Que povoam o Universo adverso
Da inspiração.
Um calor crescente percorre o meu ser
O sangue corre veloz
Os pensamentos incendeiam-se
Insinuantes…
O coração dispara
O corpo entra em erupção
A vida pulsa corrosiva e alucinante.
Meu ser recebe uma energia transcendente
Que o transforma em outro…
Nessa absorção
Vou sorvendo aos poucos
O prazer
O eterno prazer de ser limitada!
Nesse encontro de energias
O eu fascinado
Pela precisão e coordenação
Das coisas em si
Bemol maior.
Como um animal no cio
Derramo a alma
Na brancura pura do papel
E as palavras entornadas
Estão cheias de vida.
A poesia é o orgasmo da vida!
Que seria da vida sem poesia?
Que seria de mim sem o Orgasmo Cósmico da Vida?

Elizabeth

criado por eraumavezeu    11:01 — Arquivado em: DEVA-NEAR

4/3/08

CONTIGO, VOU ATÉ O INFERNO!

CONTIGO, VOU ATÉ O INFERNO

Deslizamos
Com os pés descalços
Por montanhas errantes
Sob uma lua eloqüente
Prateada
Como nossas vestes geladas.
O sangue quente
Desliza abaixo das nossas expectativas
Humanas.
Luz e trevas
Recebem-nos sorrindo
Numa dúbia doçura.
Penetramos então
No claro escuro de Rembrandt.
Enredos encaracolados
Envolvem-nos sombrios
Como serpentes.
A cabeça cai por terra!
E do sangue quente
Brota o corcel com asas de fogo
Trazendo de volta
Nossas essências de almíscar
Vomitando Lúcifer
Das próprias entranhas.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    17:00 — Arquivado em: DEVA-NEAR

27/2/08

MATEMÁTICA QUÂNTICA

MATEMÁTICA QUÂNTICA

Fluídica lua ao léo
Impudica influência líquida
Consciência inexata do Tao
Alicia outra via pra saída
Dessa contínua lida
Adormecida.
Os devaneios
Cruéis lapsos de tempo
Nos retêm
Num segundo mórbido
Num veículo sórdido
Corroído por milênios atrozes.
Animais ferozes
Salivam desejos impunes
Em seus berços de sacrifícios
E sangue inocente.
Quase quero…

Elizabeth

criado por eraumavezeu    17:23 — Arquivado em: DEVA-NEAR

15/2/08

ELE VAI VOLTAR…UM DIA DESSES!!!

ELE VAI VOLTAR…UM DIA DESSES!

Mesmo que não ouça a tua voz distante
Mesmo que não veja tua imagem
Que nunca existiu
Mesmo que tua presença
Onipresente só dentro de mim
Enquanto fora
Nunca foi real e presente
Mesmo que a ilusão de Maya
Nos cubra com seu manto
Ainda assim seremos os mesmos
O mesmo par de almas
Conectados por finos fios invisíveis
Numa trama cósmica
Eternamente ligados
Por essa gosma espessa
Suspensa num espaço curvo
E nas curvas das estradas
Com placas sem dizeres
Indicando um caminho obscuro
Por entre os beijos
Que nunca foram dados.

Elizabeth

 
criado por eraumavezeu    21:30 — Arquivado em: DEVA-NEAR

11/2/08

PODERES PODERES PODERES

(Les Bijoux Indiscrets - Magritte)

O fogo se abrasa na luz do olhar
A terra se expande e pulsa
Dentro do peito
E num vai e vem compassado
Contorna a esfera masculina.
Na densidade de um ar quente do sul
Gira a mente
Numa translação gravitacional
Gera a divindade caótica
E a arma sagrada é líquida.
Eu sou e existo líquida
Minha alma vã-pirizada
Por uma doce agonia do dia a dia
A distância
Quase me alcança
Corro desesperada
Marcada a ferro e fogo
Pelos algozes do meu ser
Desnorteada
Suspiro uma brisa do norte
Encontro então
Uma trilha por entre os dedos mágicos
De uma mão poderosa
Que sem boca, sorri incrédula,
E amacia a voz
Para falar comigo.
Seus raios lançam perfumes de plantas
Que não existem…
Um sabor gelado
Um gosto molhado
De frutas que nunca existiram
E o verbo insinua:
“Hasta la vista, my baby”
Que se misturam na realidade virtual.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    19:18 — Arquivado em: DEVA-NEAR

1/2/08

DORES INÚTEIS


(Hopper - Noite de Verão)

E ao te ver deprimido
Comprimo eminente desejo de resgatar
Tua essência de alecrim
Devolver tua lucidez
E a circulação do teu sangue frágil
De criança infeliz.
Dores reais e irreais
Dimensionalmente virtuais
Acima de mim e de ti
Busco o óleo e a erva
Que contem o cheiro da vida
Nas entrelinhas de almas fugidias
Escravizo-me as tuas dores
Como se minhas fossem
Num gesto solidário e inútil.
Estendo-me ao longo do caminho
Percorro suave por sobre teus ombros
Tocando teu coração de marfim
Tão alta e tão gélida, tua torre cai…
E num gesto rápido
Elimino tua morbidez
Colocando-te no chão, junto aos meus pés…
A cheirar o pó e o alecrim
A madeira e o capim
Retornando o sentido das coisas vãs.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    11:08 — Arquivado em: DEVA-NEAR

25/1/08

PRINCÍPIO DA INCERTEZA


(Princípio da Incerteza - Magritte)

PRINCÍPIO DA INCERTEZA

As pedras rolam!
O fogo queima!
As plantas curam!
Os animais devoram e são devorados!
E nós humanos,
Apreciamos o cenário que se abre ao nosso redor…
Como insensatos seres
Rolamos em direção ao abismo
Não buscamos na irmandade das coisas
A cura do nosso mal.
Estamos convictos que somos os melhores do planeta
Quem sabe até do universo…
Mas como não temos certeza de nada
Vestimos essa fantasia
Durante todo o baile…
Depois que o som acaba e as luzes se apagam
Continuamos vestidos
Acreditando que ainda podemos.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    16:19 — Arquivado em: DEVA-NEAR

21/1/08

A VERDADE LIBERTA


“A Adversidade é o primeiro caminho para a Verdade” (Lord Byron)

A VERDADE LIBERTA

 

Formosa donzela
Espreita nossos colóquios…
Olhamos um para o outro
Sem nada ver.
Verbas até mim
Com passos faceiros
Recebo tuas letras
Embrulhadas para presente.
As palavras flutuam no plasma!
Poderosa donzela
Revela-se entre nós.
Embebido em vinhos e bacanais
Tu estás
Dividido em mil tarefas
Multiplicadas
Pelas somas ou subtrações do dia a dia.
Do meu lado
Esquivo-me dos atos nobres ou fúteis
Busco nas entrelinhas do verbo
A morte pela cruz
E o renascer no terceiro dia…
Quem sabe até
Criar asas
e sobrevoar a matrix.
Lá está a donzela
Espiando nossas delicadezas
Esperando a plena claridade
Minha e tua
Em admitir
Que somente ela
Pode nos libertar
Desse monstro de nós mesmos.

Elizabeth

A UMA TAÇA FEITA DE UM CRÂNIO HUMANO

Não recues! De mim não foi-se o espírito…
Em mim verás - pobre caveira fria
-Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!… que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro…
Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida

Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
.Servir na morte enfim p’ra alguma coisa!…

Lord Byron
Tradução de Castro Alves

criado por eraumavezeu    13:56 — Arquivado em: DEVA-NEAR

16/1/08

ERA UMA VEZ EU…

(Moraes, Elizabeth, Dailor Varela)

O Último dos Moicanos da poesia…Foi assim que o Poeta Moraes definiu a ilustre figura de Dailor Varela… Isso aconteceu no final do ano passado na palestra do Moraes e o poeta esteve presente.
Admirado por muitos, criticado por alguns, esse Moicano sobrevive as intempéries tecnológicas da nossa cidade sem alma… E com suas letras vai modelando, juntamente com outros companheiros de criação, essa alma que nasce a todo instante e sobressai por entre o cimento e o concreto, exalando perfume de flores do campo…
Dailor Varela vem atuando desde os anos oitenta, no turbilhão de movimentos alternativos e criativos dessa cidade dos campos e das flores…
Já nos anos 80, o ator de teatro Marcos Planta, leu e adaptou para o teatro, o livro "Jaula Aberta" e Junto com o ator e diretor Irael Luziano, levou para todos os cantos da cidade, a obra de Dailor Varela.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    19:30 — Arquivado em: LABIRINTO

A SENSAÇÃO DE UM ABRAÇO É TOTALMENTE DEMAIS

Desmistifiquei com um abraço
Seus mistérios insondáveis e delicados
Desencantei sua voz
E transformei sua sina
Numa metamorfose caótica
Você ri e chora…é assim!
Coisas sagradas envoltas em segredos
Desvendáveis com um abraço
De braços e pernas
Num momento único
Para o único ser
Sequioso em cortar a cabeça da medusa
E a empalhar para si
Num gesto audaz.

Elizabeth

criado por eraumavezeu    0:23 — Arquivado em: DEVA-NEAR
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